Eu, no auge do meu egoísmo, sempre achei que, mais que as outras pessoas, sinto mesmo com o coração. Mesmo que biologicamente saiba da inverdade disso, é nele que eu sinto os reflexos de tudo o que me acontece.
Por vezes, senti que ele estava duro, apertado, como um homem que fecha a mão com a maior força que tem.
Por outras, senti-me apunhalada e, no meu interior, era visível uma adaga enterrada no meu peito.
Mas a pior de todas as sensações até hoje era senti-lo partido em quatro, por duas espadas, que me cortaram em um movimento de "X" em algumas oportunidades. Essa sempre foi a manifestação das minhas dores mais intensas.
Contudo, descobri uma nova forma do meu coração demonstrar seu sofrimento. Hoje eu o sinto despedaçado, ou mais que isso, aos farelos. Um biscoito de água e sal nas mãos de uma criança que brinca de comer.