Sabe quando aquela pessoa que você tanto quis diz aquela frase que você tanto esperou? Mas se a pessoa não for mais aquela? E por mais que tenha mexido com você talvez ela não faça mais tanta diferença...
O que você recorda dela tem algo de bom, mas ela, hoje, só te traz um gosto amargo no coração, um gosto de dor. Por mais que a saudade lhe diga que algo foi bom, o buraco no seu peito é a prova incontestável que esse bom não valeu, e mais, continuará sem valer a pena, a dura pena.
Por mais que haja a possibilidade de um futuro feliz, o passado amargurado não se quer deixar ser esquecido. E você, como se o considerasse um aprendizado, também quer mantê-lo ali. Estático e perturbador.
A perturbação que lhe causa ódio também é capaz de lhe oferecer uma crosta protetora, uma capa onde se esconder, uma armadura que lhe faz ser visto ao observador externo como "forte".
Aquela falsa imagem que se tinha de uma mútua completude já se findou e o anacronismo dos dizeres de agora só reiteram essa crença.
O que permanece incompreendido é o porquê desse incômodo.
As palavras do poeta se esvaem antes que esse sentimento engasgado se vá...
E o eu-lírico, de pé, continua prostrado...
